Tenho pensado muito sobre isto: cada livro pesa.
Quando pensamos na totalidade das nossas leituras, normalmente pensamos em estantes, em universos imaginários congelados em bolhas temporais.
E na nossa vida como leitores como um caminho: com uma idade li este livro, que me levou a ler outros do mesmo género. Depois algo acontece e desviamo-nos do nosso "caminho" e lemos outro género... etc...
Mas, e se olhássemos para a totalidade dos nossos livros lidos e para a nossa vida como leitores como uma única coisa só? Como um ‘iceberg’?
Ler é um 'iceberg'. Todos os livros lidos andam connosco o tempo todo e vão connosco para todo o lado. Em cima os bons: falamos deles, gabamo-nos dos ter lido, que bom que eles apareceram nas nossas vidas. São resplandecentes.
Em baixo os maus e os assim-assim. São muitos. Pesam. Fazem-nos perceber porque é que os outros estão à superfície. Percebemos porque queremos esquecer os maus.
Mas ambos fazem parte do mesmo. Ambos são um todo. Um todo que percorre um caminho em mar aberto que é, no entanto, consistente. Sólido.