Quando escrevi "A escala da diversão" andava à procura de outra forma de classificar as minhas leituras que não fosse apenas pontuar de 1 a 5 estrelas. O enquadramento de classificação neste caso seria o entretenimento e a importância.

Ao escrevê-lo não me apercebi que de certa forma já classificava as minhas leituras. Foi necessário começar a ouvir umas quantas vezes a mesma frase repetidamente no TikTok e até eu própria começar a usá-la, para o perceber:

"Este foi um livro que mudou a química do meu cérebro".

A frase é óbvia e a ideia é simples: eu tornei-me uma pessoa diferente ao ler este livro. Vou levar este livro comigo para o resto da vida. Mudei ao lê-lo.

Afinal, não é essa a experiência que todos queremos ao ler?

Eu senti essa mudança ainda não tinha terminado o "Cem anos de Solidão". Mesmo tendo odiado a experiência da sua leitura, todas as semanas penso no "1984". Tenho saudades dos dias em que li "E tudo o vento levou" ou "O Monte dos Vendavais".

E cada vez que pego num livro há nele essa promessa de mudança e eternidade em mim.

Assim, não há escala. Também não há o gosto ou não gosto. Há apenas o "este marcou-me".